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segunda-feira, 18 de junho de 2007

DE ACORDO COM SUA PESQUISA, QUAIS FORAM AS RAÇAS QUE MAIS CAUSARAM ACIDENTES EM SÃO PAULO?

A pesquisa que realizei na cidade de São Paulo, em 1999, apontou o seguinte perfil de cães agressores: 73% Sem Raça Definida; 77% Machos de Porte Médio; 66% Com Idade entre 1 e 5 anos; 60% eram Cães de Rua e 40% tinham Dono; 60% das agressões aconteceram na RUA. Dos 27% dos Cães com Raça – 40% Pastores; 20% Rottweiler; 15% Poodle; 5% Boxer; 5% Doberman; 5% Mastim Napolitano; 5% Dachshund; 3% Fox Paulistinha; 1% Cocker e 1% Husky Siberiano. Embora não tenha sido muito significativa a porcentagem de cães da raça Pit Bull, durante o ano da pesquisa aconteceram alguns casos graves de agressão envolvendo animais dessa raça.
Quanto ao perfil das vítimas – 70% era do sexo masculino; 50% com idade entre 20 e 50 anos; 30% idosos e 20% crianças entre 1 e 6 anos. 60% Não conheciam o cão agressor e 40% tinham algum contato com o animal. 40% das agressões foram nas Pernas das vítimas, 35% nas Mãos, 15% na Cabeça e 10% braços, troncos e órgãos genitais.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DAS RAÇAS MAIS AGRESSIVAS?

Os cães das raças Rottweiler e Mastino Napolitano, assim como cães de outras raças usadas como guarda, foram selecionados para TRABALHO. Devem manifestar agressividade por dominância cuja função na matilha é a guarda do território e a defesa de seus companheiros de grupo. Para cumprir esta missão devem reconhecer e afastar um estranho ao seu território, demonstrando antipatia, força e coragem.
Os cães da raça Pit Bull foram selecionados para LUTA. Devem apresentar ataque rápido e inesperado, resposta rápida para estímulos que desencadeiam o ataque, alta resistência à dor e grande energia para atividades físicas. Cães dessa raça são excelentes atletas, mas são capazes de lutar até à morte quando nas situações de rinhas, não reconhecendo os sinais de submissão do seu oponente.
Animais potencialmente mais agressivos devem obedecer comandos e ser muito bem SOCIALIZADOS. Só assim irão conviver de forma segura e adequada com a sociedade. É grande a nossa responsabilidade enquanto criadores, veterinários, adestradores e proprietários.

DE QUEM É A CULPA PELA VIOLÊNCIA DE ALGUNS ANIMAIS?

Prefiro usar o termo responsabilidade. Quando selecionamos um animal para reprodução, devemos levar em conta a sua natureza e o temperamento dele. Os animais naturalmente mais agressivos não devem cruzar com pares também agressivos. Devemos equilibrar esta seleção genética, e buscar linhagens mais adaptáveis ao convívio social. Esta responsabilidade é do CRIADOR.
Quando se compra um filhote, independente da raça, é preciso buscar orientação na hora de escolher o mais adequado. Sociabilizar e educar sob regras firmes, sem com isso usar de métodos punitivos, prender ou acorrentar. Ao conduzir o cão na rua, mantê-lo sempre preso à guia e estar atento a todas as possíveis reações dele. Em casa, ter placa que avisa a presença de cão bravo, muros altos e portões seguros. Oferecer boas condições de higiene, alimento adequado á idade e tamanho, cuidar da saúde e proporcionar atividades físicas diárias. Evitar situações que geram estresse, como solidão e isolamento. Isso é responsabilidade do DONO.
Se a pessoa se aproxima de um cão desconhecido, se provoca ou tenta tocá-lo, se encara o animal diretamente, pode estimular uma reação por parte dele. Se aceitamos que cães sejam abandonados nas ruas, estamos estimulando a formação de matilhas, onde os animais passam a agir como caçadores. Nesse caso, a responsabilidade é da POPULAÇÃO.
Acho que todos somos responsáveis. Não dá para agir com negligência nem fingir que o problema não existe.

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